Olá, meus amigos. Tudo bem com vocês? É um prazer estar aqui escrevendo mais uma vez para o nosso blog.
Se você acompanha meu trabalho, sabe que já são mais de sete anos produzindo conteúdo focado em gestão de equipes externas. E, entra ano, sai ano, existe um tema que sempre volta à tona e gera muita discussão: o valor do reembolso de quilômetro rodado.
Agora, com o planejamento de 2026 em andamento — alguns já concluíram, outros estão no meio do caminho —, é o momento crucial para revisitar essa conta. As variáveis mudam, o mercado de combustíveis oscila e o que funcionou em 2025 pode não ser mais justo ou viável agora.
Neste artigo, quero compartilhar com vocês a metodologia que desenvolvi ao longo desses anos, baseada em dados reais e na prática de centenas de empresas que atendo. O objetivo aqui não é dar um “número mágico”, mas sim ensinar a lógica para que você construa uma política de reembolso técnica, transparente e que elimine aquela velha briga onde a empresa acha que paga muito e o funcionário acha que recebe pouco.
Conteúdo
O Cenário do Combustível em 2026
Para começarmos, precisamos olhar para o contexto. Desde que a paridade de preços internacional foi adotada anos atrás, o gráfico do preço da gasolina virou uma montanha-russa. Dependemos do dólar, de políticas governamentais e de fatores logísticos.
Um ponto que sempre destaco é a variação regional. Hoje, em 2026, vemos uma gasolina média na casa dos R$ 6,16 a R$ 6,20 em São Paulo. Porém, se sua equipe roda no Pará, por exemplo, esse valor pode chegar a quase R$ 7,00 devido ao ICMS e à logística complexa (muitas vezes fluvial) da região.
“Mas Leonardo, e os carros elétricos?”
Essa é uma pergunta comum. A frota está mudando, sim. Mas, sendo realista, nem 5% da frota comercial rodante no Brasil hoje é 100% elétrica. A gasolina e o etanol ainda são predominantes e definem 50% a 60% do custo do reembolso. Portanto, nossa base de cálculo ainda precisa olhar com muita atenção para o motor a combustão.
Por que você precisa de um Método (e não de “chute”)
Muitos gestores me procuram com problemas de clima organizacional causados pelo reembolso. A equipe discute, reclama, e a gestão fica sem argumentos técnicos.
O erro mais comum é ligar para o concorrente e perguntar: “Quanto você paga de KM?”. Ou então definir um valor arbitrário. Isso não funciona porque a realidade financeira e a frota de cada empresa são únicas.
A metodologia que proponho aqui visa profissionalizar esse assunto. Quando você tem um memorial de cálculo — ou seja, um documento que explica como você chegou naquele valor —, você tira a emoção da discussão e coloca a razão. O funcionário entende que não é um número tirado da cartola, mas sim uma conta matemática baseada nas quatro operações básicas.
Passo a Passo para Calcular o Reembolso em 2026
Vamos construir esse valor juntos. Para isso, precisamos definir algumas premissas antes de abrir a calculadora.
1. Definição do Veículo Padrão
Este é o pilar do cálculo. A sua empresa precisa definir qual é o “carro ideal” para o trabalho. Isso não significa que o funcionário é obrigado a ter exatamente aquele modelo, mas o reembolso será pago com base na autonomia daquele padrão.
Por que isso é importante? Imagine que um funcionário decida trabalhar com um carro antigo, um motor V8 beberrão que faz 3 km/litro (o famoso “Opalão” da minha época). A empresa não pode arcar com a ineficiência energética desse veículo. Se a empresa pagasse o combustível real desse carro, ficaria descapitalizada.
Geralmente, buscamos carros populares e econômicos como referência (modelos como Mobi, Onix, Kwid, etc.).
- Autonomia na cidade: Buscamos referências entre 8 a 10 km/litro (com etanol/gasolina).
- Autonomia na estrada: Entre 12 a 14 km/litro.
Ao definir isso, você estabelece a regra do jogo: “Pagamos o reembolso considerando um carro que faz 10 km/litro. Se o seu carro consome mais que isso, a diferença é por sua conta. Se consome menos, o lucro é seu.”
2. Estimativa de Quilometragem Anual
O segundo passo é entender o perfil de rodagem da sua equipe. Isso vai influenciar na diluição dos custos fixos (que veremos adiante).
Na minha experiência, temos três perfis básicos:
- Perfil Urbano: Roda apenas dentro da cidade. Média de 1.000 a 1.500 km/mês (12.000 a 18.000 km/ano).
- Perfil Misto: Cidade e pequenas viagens próximas. Média de 2.000 a 2.500 km/mês.
- Perfil Viajante: Roda interestadual ou grandes distâncias. Média acima de 3.000 km/mês.
Para o nosso exemplo de cálculo abaixo, vou utilizar uma estimativa conservadora de 12.000 km por ano (1.000 km/mês).
3. Compondo os Custos: O que entra na conta?
Aqui é onde você define a estratégia da sua empresa. Você quer pagar apenas o custo operacional ou quer usar o reembolso como uma ferramenta de retenção e benefício? Vamos analisar os componentes.
A. Combustível (Obrigatório)
Essa é a conta mais simples. Sem isso, o carro não anda.
- Fórmula: Preço do Combustível / Autonomia do Veículo Padrão
- Exemplo Prático: Gasolina a R$ 6,10 (média) dividido por um carro que faz 10 km/L.
- Custo por KM: R$ 0,61.
B. Custos Fixos e Documentação
O funcionário coloca o patrimônio dele à disposição da empresa. É justo ajudar a custear itens como IPVA, Licenciamento e Seguro Obrigatório (caso aplicável/vigente). Para calcular quanto isso representa por quilômetro, somamos os custos anuais e dividimos pela quilometragem estimada.
- Exemplo: Soma de IPVA + Licenciamento + Seguro = R$ 2.400,00 (hipotético).
- Custo por KM: R$ 2.400 / 24.000 km (estimativa ajustada) = aprox. R$ 0,10.
C. Manutenção Preventiva
Carro que roda a trabalho desgasta. Pneus, óleo, filtros, freios. Você pode pegar o custo das revisões programadas do fabricante para o período de 3 anos e dividir pela quilometragem.
- Exemplo Estimado: R$ 0,10 por km.
D. Depreciação, Seguro Privado e Limpeza
Aqui entramos em um terreno mais estratégico. A depreciação (perda de valor do bem, geralmente 10% a 20% ao ano pela Tabela FIPE) é um custo real e invisível. Se você não paga, o funcionário está “vendendo” o carro dele aos poucos para a empresa.
O seguro privado também é crucial. Já vi casos de funcionários sem seguro que bateram o carro e ficaram sem ferramenta de trabalho, gerando prejuízo para ambos os lados.
E a limpeza? Pode parecer exagero, mas se você exige que o vendedor chegue no cliente com o carro impecável, é interessante prever um valor para lavagens.
Exemplos de Cenários de Reembolso
Com base nos componentes acima, podemos criar diferentes “pacotes” de reembolso. Vou apresentar dois cenários baseados nos dados que levantei para 2026.
Cenário 1: Reembolso Completo (Benefício)
Neste modelo, a empresa decide arcar com todos os custos, permitindo que o funcionário mantenha o carro e até junte capital para a troca futura.
- Combustível: R$ 0,61
- Documentação (IPVA/Licenc.): R$ 0,09
- Manutenção: R$ 0,10
- Seguro/Depreciação/Limpeza: R$ 0,51
- TOTAL: R$ 1,31 por KM rodado.
Cenário 2: Reembolso Compartilhado (Custo-Benefício)
Aqui, a empresa entende que o funcionário também usa o carro para fins pessoais (finais de semana, lazer). Então, paga-se 100% do combustível (que é variável pelo uso), mas divide-se os custos fixos (como seguro e IPVA) em 50%.
- Combustível (100%): R$ 0,61
- Custos Fixos e Manutenção (50%): R$ 0,35
- TOTAL: R$ 0,96 por KM rodado.
Nota: Estes valores são exemplos baseados em médias de mercado. É fundamental que você faça a conta com os dados da sua região e do veículo padrão escolhido.
A Importância da Transparência
Mais importante do que o valor final (se é R$ 0,90 ou R$ 1,30), é a clareza. Quando apresento esse memorial de cálculo para as equipes, a reação muda. Eles percebem que existe critério.
Se você decide pagar, por exemplo, metade do seguro dentro do valor do KM, você ganha o direito moral e técnico de exigir que o carro tenha seguro. Isso protege a operação.
Além disso, essa metodologia permite ajustes rápidos. Se a gasolina subir para R$ 7,00, você altera apenas a variável “combustível” na fórmula e o novo valor do KM é atualizado automaticamente, sem precisar renegociar todo o contrato.
Tecnologia como Aliada na Gestão
Calcular o valor é o primeiro passo. O segundo, e muitas vezes mais doloroso, é controlar isso no dia a dia. Planilhas de Excel, relatórios manuais, pilhas de notas fiscais… isso consome um tempo precioso do gestor e do vendedor.
Na minha experiência, o ideal é automatizar. Hoje existem tecnologias que registram o check-in e check-out das visitas e calculam a quilometragem percorrida automaticamente, aplicando o valor de reembolso que você definiu.
Isso elimina a “criatividade” no preenchimento de relatórios manuais e garante que você está pagando pelo deslocamento real de trabalho. Se a sua empresa ainda perde 5 dias no mês conferindo relatórios de KM, está na hora de rever esse processo.
Dúvidas Frequentes (FAQ)
1. Se eu pagar apenas o valor do combustível, o funcionário sai no prejuízo?
Sim, na prática, sai. O combustível representa cerca de 60% do custo de rodagem. O restante são pneus, óleo, desgaste natural e desvalorização. Se você paga apenas a gasolina, o funcionário está subsidiando a operação da sua empresa com o desgaste do carro dele. A longo prazo, isso gera insatisfação e rotatividade.
2. Posso diferenciar o valor do KM por região?
Pode e, em alguns casos, deve. Como mencionei, o custo no Norte do país é diferente do Sudeste. No entanto, para facilitar a gestão administrativa, muitas empresas optam por fazer uma média ponderada nacional. Se a diferença for muito gritante, vale a pena regionalizar a política.
3. Como lidar com pedágios e estacionamentos?
Esses itens não devem entrar no valor do KM rodado. Eles são custos variáveis de viagem e devem ser reembolsados à parte, mediante comprovação (recibo ou tag de pedágio), pois não incidem sobre cada quilômetro, mas sim sobre rotas específicas.
4. O que fazer se o funcionário tem um carro que gasta muito mais que o padrão?
A política deve ser clara: o reembolso é baseado no veículo padrão definido pela empresa. Se o funcionário opta por usar um SUV de luxo ou um carro antigo de alto consumo, a escolha é dele, mas a empresa não deve ser penalizada por essa ineficiência. O reembolso cobre o custo de um veículo eficiente para a função.
Conclusão
Definir o valor do KM rodado em 2026 não precisa ser um cabo de guerra. Com uma metodologia clara, baseada no veículo padrão, estimativa de rodagem e composição de custos, você cria uma política justa e sustentável.
Lembre-se: o objetivo é que o reembolso permita que seu funcionário trabalhe com tranquilidade, mantenha o carro em boas condições e foque no que realmente importa: trazer resultados e atender bem o cliente.
Se você quer eliminar a burocracia desse processo e garantir que o reembolso seja pago com base em visitas reais e comprovadas, convido você a conhecer como a tecnologia pode facilitar sua vida.
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Assista ao Video Completo
Este artigo foi baseado na live do canal Eng. Leonardo Gazolli – Equipes Externas. Clique para assistir:
