Olá, meus amigos, tudo bem com vocês? É uma satisfação muito grande compartilhar conhecimento prático aqui no blog.

Se você acompanha o canal, sabe que na Live 184 eu trouxe um tema que considero fundamental para o momento que vivemos em 2026: a aplicação real da Inteligência Artificial (IA) na gestão de equipes externas. Não estamos mais falando de futurologia ou de tendências distantes. Estamos falando de ferramentas que estão disponíveis agora e que, se bem utilizadas, podem trazer uma eficiência operacional significativa.

Neste artigo, vou detalhar o processo que apresentei junto com meu time de inteligência — o Leonardo Teixeira e o Leonardo Fernandes (sim, somos o “Leonardo ao Cubo”) — sobre como criar dashboards automatizados utilizando IA. O objetivo aqui não é transformar você em um programador, mas mostrar como um gestor pode usar a tecnologia para ler seus dados de forma mais inteligente.

O Cenário da IA em 2026: Velocidade e Praticidade

Para contextualizar, é importante observarmos a velocidade com que as coisas aconteceram nos últimos anos. Quem viveu a bolha da internet nos anos 2000 viu um frenesi parecido, mas a volumetria de projetos de IA hoje é algo sem precedentes.

Se olharmos para ferramentas como o Claude, o Grok, o NotebookLM e o próprio ChatGPT, vemos uma evolução constante. Aqui na Contele, por exemplo, fizemos um processo seletivo de ferramentas. Testamos, filtramos e descartamos muitas até chegarmos ao nosso stack atual.

Por que estou dizendo isso? Porque para o gestor de equipe externa, essa sopa de letrinhas pode assustar. Mas o segredo não está em dominar todas as ferramentas, e sim em saber fazer a pergunta certa para a ferramenta certa. É sobre isso que vamos falar: como pegar a sua planilha de visitas e transformá-la em inteligência visual.

O Problema: Dados que Não Viram Ação

Na minha experiência como Engenheiro de Produção, vejo um padrão comum. As empresas têm os dados. Vocês têm os formulários preenchidos pelos vendedores, os check-ins dos técnicos, os relatórios de visitas. Tudo isso geralmente acaba em um arquivo CSV ou numa planilha de Excel.

O problema é: quanto tempo você leva para cruzar esses dados? Para entender quem é o funcionário que mais visita, mas que tem a menor taxa de conversão? Ou para descobrir qual é o principal motivo de “não venda” na região Norte?

Muitas vezes, a complexidade de montar um dashboard no Excel ou no Power BI trava essa análise. É aqui que a IA entra como uma aceleradora.

Passo a Passo: Da Planilha ao Dashboard com IA

Durante a nossa conversa técnica, mostramos um fluxo de trabalho que utilizamos internamente e que pode ser replicado. A ideia central é usar uma IA (como o Gemini ou GPT) para atuar como um “Engenheiro de Dados Sênior” para nós.

1. A Base de Dados (O Arquivo CSV)

Tudo começa com a organização. Você precisa exportar os dados do seu sistema de gestão de equipes (como o Contele Gestão de Equipes) para um formato legível, geralmente CSV (Comma Separated Values) ou Excel.

Nesse arquivo, temos colunas como:

  • Nome do Usuário (Técnico/Vendedor)
  • Data e Hora
  • Tipo de Visita
  • Motivo da Perda/Não Venda
  • Status do Formulário

Sem dados organizados, a IA não consegue fazer milagres. A qualidade da saída depende da qualidade da entrada.

2. A Engenharia de Prompt (O Pedido)

Aqui está o “pulo do gato”. Não basta jogar a planilha na IA e dizer “faça um gráfico”. Você precisa ser específico. Aprendi cedo que saber pedir é tão importante quanto saber fazer.

Na demonstração que fizemos, utilizamos o Gemini para criar o código do dashboard. Mas nós não escrevemos o código manualmente; nós pedimos para o Gemini escrever as instruções para uma ferramenta de visualização (neste caso, focamos em conceitos aplicáveis a ferramentas como Streamlit ou Google Data Studio/Looker).

O prompt (comando) que o Leonardo Teixeira construiu seguiu uma lógica muito interessante:

“Atue como um desenvolvedor de dados sênior e especialista em Python/Streamlit. O objetivo é criar um dashboard analítico interativo baseado em um arquivo CSV de formulário de visitas/vendas.”

Observem a especificidade:

  1. Definição de Persona: Dissemos à IA quem ela deveria ser (Desenvolvedor Sênior).
  2. Contexto Técnico: Especificamos as linguagens/ferramentas.
  3. Estrutura dos Dados: Explicamos o que havia na planilha.
  4. Requisitos de Análise: Listamos o que queríamos ver (KPIs).

3. Os Indicadores (KPIs) Solicitados

No exemplo prático, pedimos análises que são vitais para quem tem equipe na rua. Vejam o que solicitamos à IA para incluir no dashboard:

  • Top Usuários: Quem são os colaboradores que mais preenchem formulários? Isso indica produtividade bruta.
  • Funil de Interesse: Qual a porcentagem de clientes que demonstraram interesse versus os que não demonstraram?
  • Motivos de Perda: Um gráfico (pizza ou barras) mostrando os principais motivos de falta de interesse. Isso é crucial para ajustar o treinamento da equipe. Se o motivo for “Preço”, a ação é uma. Se for “Não conhece a marca”, a ação é marketing.
  • Tratamento de Nulos: Pedimos para a IA filtrar valores nulos. Isso é um detalhe técnico que muitas vezes o gestor esquece, mas que “suja” o gráfico.

4. A IA Criando o “Super Prompt”

O interessante desse processo é que usamos o Gemini para criar um prompt melhorado para ele mesmo ou para outra IA de programação. O Gemini analisou nosso pedido simples e estruturou um pedido técnico complexo, sugerindo até o uso de bibliotecas específicas de visualização (como Plotly) para tornar os gráficos interativos.

Ele entendeu, por exemplo, que precisávamos de um botão para upload de arquivo. Por que isso é importante? Para que o dashboard não seja estático. Hoje você analisa os dados de janeiro; mês que vem, você sobe o arquivo de fevereiro no mesmo dashboard e ele atualiza as análises.

A Aplicação Real na Contele: Eficiência Operacional

Talvez você esteja pensando: “Léo, isso parece bonito, mas funciona na prática?”

Posso falar com a propriedade de quem implementou isso dentro de casa. Aqui na Contele, decidimos apostar pesado nessa tecnologia. Temos hoje cerca de 25 profissionais na área de TI com licenças pagas dessas ferramentas para aumentar a produtividade.

Mas o impacto vai além da TI. No nosso atendimento ao cliente, por exemplo, cerca de 50% dos chamados hoje são resolvidos com auxílio de IA, de forma satisfatória, sem intervenção humana direta inicial. Isso nos permitiu crescer sem inchar a folha de pagamento administrativa.

Tínhamos demandas no financeiro e administrativo que, tradicionalmente, exigiriam novas contratações. Em vez de contratar mais pessoas para fazer tarefas repetitivas, pegamos nossos processos, analisamos onde poderíamos automatizar e usamos a IA para simplificar. O resultado? Resolvemos as dores do crescimento sem comprometer o caixa.

Gratuito vs. Pago: Por Onde Começar?

Uma dúvida comum que recebo nas comunidades e no LinkedIn é sobre o custo. “Preciso pagar uma licença cara para fazer isso?”

A resposta é: depende do seu estágio. O que mostramos na Live 184 pode ser feito, em grande parte, com as versões gratuitas das ferramentas atuais (Gemini, ChatGPT, etc.). Para quem está começando a testar, o gratuito atende muito bem.

No entanto, conforme sua operação escala e você precisa de mais segurança de dados, maior velocidade de processamento ou integração com APIs complexas, as versões pagas se tornam um investimento, não um custo. Na Contele, como mencionei, optamos pelas licenças pagas porque buscamos uma produtividade de nível profissional, tentando levar a entrega de um programador de 1x para 3x ou 10x.

A Importância da Supervisão Humana

Apesar de todo o entusiasmo, preciso ser realista com vocês. A IA não substitui o gestor. Ela não substitui a estratégia.

Durante a nossa demonstração, o Leonardo Fernandes e o Teixeira pontuaram bem: a IA tem uma “criatividade” (alucinação) que precisa ser controlada. Se você não for específico no seu pedido, ela pode inventar correlações que não existem.

Por isso, o papel do Engenheiro de Produção, do Gerente, do Supervisor, muda. Deixamos de ser “planilheiros” — aqueles que perdem horas formatando células — para nos tornarmos analistas críticos dos dados que a máquina processou. O seu trabalho é olhar para o dashboard gerado e perguntar: “Isso faz sentido?” e, principalmente, “O que eu faço com essa informação para minha equipe vender mais amanhã?”.

O Futuro da Gestão de Equipes

Para este ano de 2026, nosso foco na Contele é trazer essa inteligência para dentro do produto. Queremos implantar assistentes de IA que guiem o gestor, comparando os resultados da sua equipe com a nossa metodologia “Equipes Externas Turbinadas”.

Imagine poder comparar sua performance com a média do seu segmento de mercado, com análises geradas automaticamente? É para lá que estamos caminhando.

Construir dashboards com IA é simples, mas não é necessariamente fácil. Exige dedicação, exige estudo e exige perder o medo de testar. Mas a barreira de entrada nunca foi tão baixa.


Perguntas Frequentes (FAQ)

1. Preciso saber programar em Python para criar esses dashboards?

Não necessariamente. Hoje, ferramentas como o Gemini e o ChatGPT podem escrever o código para você. Você precisa saber o que pedir e como rodar esse código (em ambientes como o Google Colab ou Streamlit Cloud), mas a escrita linha por linha a IA pode fazer. No entanto, ter uma noção lógica ajuda a encontrar erros.

2. Meus dados estão seguros ao subir em uma IA pública?

Essa é uma questão crucial. Em versões gratuitas de IAs públicas, seus dados podem ser usados para treinamento do modelo. Para dados sensíveis da empresa (nomes de clientes, valores financeiros estratégicos), recomendamos o uso de versões “Enterprise” ou que você anonimize os dados antes de subir (troque nomes reais por códigos, por exemplo).

3. Qual a melhor ferramenta: Gemini, ChatGPT ou Claude?

Em 2026, todas estão muito avançadas. O Gemini tem uma excelente integração com o ecossistema Google (Planilhas, Drive). O Claude costuma ser muito bom para programação e lógica complexa. O ChatGPT continua sendo um generalista muito forte. Minha sugestão: teste a mesma tarefa em duas delas e veja qual entrega o resultado que você prefere.

4. O dashboard atualiza sozinho em tempo real?

O método que descrevemos neste artigo (baseado em upload de CSV) não é tempo real. Ele é uma “foto” do momento da exportação. Para tempo real, seria necessário integrar a IA via API diretamente ao seu banco de dados, o que exige um nível técnico um pouco maior de desenvolvimento.


Se você quer ter acesso a dados estruturados da sua equipe para poder aplicar esse tipo de inteligência, o primeiro passo é ter um sistema de gestão robusto.

Convido você a conhecer como podemos ajudar a organizar sua operação.

Clique aqui para conhecer o Contele Teams e turbinar sua gestão de equipe externa.

Um grande abraço e até a próxima!

Assista a Live Completa

Este artigo foi baseado na Live do canal Eng. Leonardo Gazolli – Equipes Externas. Clique para assistir ao video completo:


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Autor

Autoridade no Brasil sobre produtividade de equipes externas, o Engenheiro que aumentou a produtividade em mais de 1000 empresas que aplicaram o método Contele Teams